Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Hoje...choro.

Hoje...choro.
porque me apercebi da existência.
De repente, sem contar
olhei à minha volta e não resisti a chorar.

Falhei, errei, matei.
Falhei as minhas expectativas de felicidade.
Errei as minhas hipótese de triunfar.
Matei todas as esperanças que havia depositado em mim mesmo.

Hoje, olho e não vejo ninguém.
Hoje, olho e não vejo casas, nem estradas, nem ruas.
Hoje, olho e vejo apenas terra rasgada
E, perdida nessa terra;
uma batata cortada.

Por ser cortada tornou-se inútil
foi, apesar de semeada, ali abandonada
porque de nada mais podia servir
se não de triste abandono a quem não pôde vir.

E o melhor, foi pegar na batata, olhá-la bem nos olhos.
Tentar, ainda que por momentos, percebe-la, entende-la.
Afinal, sei agora, é possível não ser mais que uma batata cortada.
E assim, com a batata na mão, deitei-me na terra, abri os braços ao máximo.
Apertei-a com força e olhei para o céu. Em seguida, fechei os olhos.
E disse:
Vem-nos buscar. Não queremos ficar sozinhos. Leva-nos, apenas, para onde haja nada mais se não eus sós e batatas cortadas.
Nesse momento, morremos.
Nesse momento ficámos acompanhados.
Nesse momento, sorrimos...

Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Preto que é imenso e azul.

Paro, olho, reflicto,

viro o olhar para a janela; olho o infinito;

absorvo todo o grande azul

e descubro-o. Não é novo

mas inexplorado, é imenso e reservado.

Há também, lá bem no meio,

uma pinta acesa e viva,

faz dissipar o nevoeiro

que marcou este Janeiro.

Essa pinta não é clara

É sim bastante escura;

Possui um brilho que perdura

até me inundar a cara.

Essa pinta chama-se Íris,

é parte do teu matador olhar,

aquele que me fez apaixonar,

de uma maneira que eu nunca quis.

O teu nome tenho gravado

no meu pequenino coração,

só Deus sabe a pressão

que é senti-lo ficar parado.

Precisava tanto de te ter aqui,

não fazes ideia do quanto;

que me cobrisses com um manto

quando fico a tremer sem ti.

Farto desta merda estou tanto

que nada tem sentido mínimo;

a minha mente ficou lerda

pelo tempo que te tenho perdido.

Aquela escura noite cerrada

na portagem de paixão banhada

em que a minha mente então amargada

conheceu finalmente a sua amada.

Momentos houve na minha vida

em que orgulhoso fiquei do que fiz;

nunca o senti, porém, tão forte,

de algo que sem intenção ou pensar quis.

Perdoa e recebe de volta;

Consola e dá a volta,

abraça e os olhos fecha,

e comigo segue por aqui fora.

Vem, não te quero voltar a perder,

tão perto que estive de te ter;

não sei se um assim dia mais terei;

em que, finalmente, a Deus cheguei.

A ti amo mais que tudo, Ana Duarte Rute.

Pessoa, Diogo.

Segue, segue sem caminho!

E tu, para que andas,

por que navegas sem caminho?

Não te iludas, tu não mandas

és apenas uma pequena gota de água

perdida num copo de vinho,

que sem pena foi deixada,

em cima de uma toalha de linho.

Há muito que rastejo

perdido e sem destino,

na tentativa de encontrar,

não mais adulto que menino,

e, cansado, bocejo;

estou apenas farto de aturar.

Estou diferente, não reconheço

nem sequer tenho muito apreço

pelo aquilo em que me tornei

que o que é, ainda não sei.

Espero, encontrar-me bem,

sem me ter perdido para alguém,

que me deixou, como não sei,

sem juízo, cabeça ou lei.

Quero seguir e prosseguir,

passar à frente e não recuar,

Pretendo apenas a felicidade alcançar,

fazer mais nada senão rir.

Pessoa, Diogo

Sexta-feira, 4 de Março de 2011

Sem saber o que serei, sei, contudo, o que outrora fui.

Hoje acordo pensar
naquilo que em tempos fui.
É, porém, na altura de deitar
que este pensamento flui.

Quando olho para o espelho
que tem uma fotografia antiga colada
e comparo com o que sou agora,
vejo que o que sou é nada.

De todas as minhas convicções,
de todas as minhas intenções,
tudo me saiu errado,
o futuro passou-lhes ao lado.

Espero, porém, não sucumbir,
resistir por tudo a submergir
num mar de profunda revolta
em que não existe caminho de volta.

A minha base mais segura de apoio
mudou-se e fragmentou-se;
deixando-me sem onde me agarrar
para que me conseguisse aguentar.

Hoje não consigo dormir
porque me voltaste a denegrir,
mas amanhã quando acordar
e para mim próprio olhar
terei de te perguntar,
Podem em paz me deixar?

Diogo, Pessoa.

Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

A tua perfeição.

"Tenho orgulho em ti", escrevi-te hoje.
Resolvi mandar esta mensagem só por mandar. Não esperava que compreendesses, até porque eu próprio não saberia o que era suposto ser compreendido. Tudo isto é estúpido. Eu precisava de to dizer. Podemos estar mal, podemos estar chateados, de facto não andamos bem, mas eu não me consigo cansar de me orgulhar de ti. Não sei porque será. Será pela tua infinita beleza? Será pela tua incrível inteligência...Será pelo facto de continuar, ano após ano, apaixonado por ti? Será pelo facto de...ter encontrado a rapariga dos meus sonhos e não a poder ter? Não sei. Sei que tenho um orgulho ENORME em ter-te como amiga. É...olhar para ti e rir-me, rir-me de não acreditar que esteja a olhar para algo tão perfeito, para algo tão... real, e ao mesmo tempo tão surreal...
Amo-te, ARD.

Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Falta de ti

Está prestes a fazer 4 meses. E não. Ao contrário do que seria de esperar com uma frase destas, não são 4 meses desde que começou algo, mas sim desde que acabou. Começou. Passaram 4 meses. Acabou. Passaram 4 meses. Andava, por mera distracção, como quem não tem mais nada para fazer, a passar a minha paste de músicas...e fui, inconscientemente para "Aquela". Aquela música que ouvimos os 2, com um phone cada um, ao ritmo de um beijo naquele magnifico sítio onde a única coisa que se faz é esperar por Comboios. E comecei a pensar nisso. Não, de maneira alguma, já não te amo. Tenho mesmo dúvidas, primeiro se sei o que isso é, depois se algum dia senti isso por ti. Mas sinto a tua falta. Curioso. Estás mais perto do que nunca! Estás a uma meia-dúzia de quilómetros durante os dias, às vezes metros até, quanto já estiveste a centenas de quilómetros e, curiosamente ou não, estava mais tempo contigo nessa altura. Mas, ia a dizer, de facto sinto a tua falta. Não é de ti...por ti. Que as coisas acabaram porque tinham de acabar. É de ti, pelo que representavas para mim. De ti, por te ter sempre ali, de ti por não chorar sozinho, de ti, por não controlar as minhas gargalhadas por alguém achar irritante, de ti por não ter de ser outro eu que não eu mesmo, de ti por não ter receio de falhar. De ti...por fazeres parte integrante da felicidade absoluta que foram para mim esses meses. Que acabaram. E, com eles, a felicidade, ou pelo menos a absoluta...

Domingo, 31 de Outubro de 2010

Senza te

Querias por tudo um poema.
E eu não to queria dar.
Achei que era cedo de mais
para no meu mundo te integrar

o que é certo é que passaram 24 horas
e foi demasiado.
foi apenas o bastante
para me deixar destroçado.

Ligo-te ou não ligo?
Eis o meu dilema moral.
É apenas uma chamada,
mas pode fazer tanto mal...

Talvez que não ligue,
ou se calhar talvez sim.

Talvez queira ver aquela magnifica voz
e aquele pequeno rosto
uma vez mais sorrir para mim.

Não sei...

Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

Saber, sentir, amar

Sei como saber sentir,
sem saber sentir o que sei.
sei, mas não sei
aquilo que sem saber senti

um dia talvez possa aprender
aquilo que tanta vez me fez perder,
que foi pensar e não sentir,
sem sentir que ao pensar
estava apenas a perder
a mais bela face que pude ver

Da próxima vez espero saber agir
sem que para isso tenha de pensar
mas não te vou mentir
não desistirei de alcançar.

A ti, ARD

Pessoa, o D.

Domingo, 12 de Setembro de 2010

Destino

Haverá, de todas as privações e dores, de todos os ataques e retaliações algum pior do que a traição do destino?
Haverá, de entre todas as marcas e recordações, alguma mais traumática do que ser atacado brutalmente não se sabe bem por quem?
Haverá, de entre todos os ataques e ameaças, algum pior do que o ataque de algo contra o qual não se consegue retaliar, NEM AO MENOS DEFENDER?
Não. Não pode haver. O destino é, de entre todas as entidades subjectivas, a mais cruel e perfeita, a mais bondosa e traiçoeira. A mais confiável e escorregadia.
Não acreditar no destino é negar a existência, confiar demasiado nele é arriscar de mais, ser traído por ele é não recuperar nem esquecer...NUNCA MAIS.

Pessoa, D.

Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

Olá alma gémea, (hey, soul sister by train)

Olá
I
Não serás minha irmã
nem sequer da minha família
serás sim um talismã,
o meu quente chá de tília
II
Ris-te com esta pequena metáfora
não a fiz sem alguma razão
que é teu o privilégio,
só tu tens o condão
de num estado egrégio
me induzires em catáfora
III
Contigo os meus tormentos
são espalhados aos sete ventos
e voando para bem longe
mais uma vez me transportam
para onde as angústias se suportam,
onde o terror de viver se esponje
IV
Desculpa se sou minimalista
siga apenas uma grande pista
que me leva sem qualquer maldade
ao caminho da felicidade
V
Busco apenas o meu cânon
e não tenho muito que procurar,
basta somente a tua cara encontrar
para que o meu rosto incandescente
se incendeie violentamente
como uma lâmpada de árgon
VI
Dou-me apenas por satisfeito
ao ver-te no teu leito
a dormir profundamente,
em sentir o respirar,
do teu peito a arfar,
ou a sentir a palpitação
do teu bondoso coração
VII
E opto agora por terminar
esta minha pronunciação
desejando informar
que entrei no teu coração.

A ti, que sabes quem és
Pessoa, D


Domingo, 15 de Agosto de 2010

Estás longe.

Estás longe.
(Lento, acentuado após as vírgulas, havendo quebras de tempo, aconselho música calma para acompanhar)

Estás longe, bem longe,
no rir de uma criança,
no meditar de um monge,
na alegria da bonança

Se incessantemente te procuro,
não é por estar desesperado.
É por querer ter um futuro
contigo do meu lado

Se tantas vezes te encontrei,
tantas quantas te perdi,
não te vou dizer que não chorei,
ou por outra que não ri
apenas porque o que sentia só por si
era indescritível para mi.

Se eu te pedisse para aqui vires
tu dirias que me levantasse
e te fosse procurar
na minha ânsia de amar

E eu me levantei,
e eu me empolguei
e eu sonhei
e eu criei
e eu projectei.
.
.
.

e eu falhei

porque eu te encontrei,
amor da minha vida,
e mais uma vez te perdi,
em mais uma derrota sofrida...

e assi termino o poema,
assi mesmo sem fim,
como o amor é em si,
um ciclo vicioso e sofrido
meticuloso e contido
como uma lágrima de um olho
que chora...e ao mesmo tempo ri...
por ti

Pessoa, D.

Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

A ti

Desculpa-me, perdoa-me a ousadia. Já por muitas vezes tinha tentado escrever-te. Mais até, escrever sobre ti. Mas não saía.
Decidi, então, tentar hoje. No fim daquele sábado talvez já fosse possível. E foi mesmo! Neste momento sentia-me mesmo capaz de te escrever páginas inteiras, vou ficar-me por uma versão resumida para não te aborrecer. Amo-te e não sei o porquê, ou será que sei? Vejamos!:
Quanto estou chateado e descarrego em ti sem teres culpa nenhuma, ficando depois a sentir-me tremendamente mal e com remorsos...tu perdoas-me e aceitas-me de volta;
Quando estou feliz e radiante falo contigo e consegues, mantendo a minha alegria, acalmar o meu entusiasmo.
Quando estou triste tu animas-me, ainda que tu própria estejas triste.
Quando me sinto sozinho e sem ninguém à minha volta, tu estás sempre lá para mim, para me apoiar.
Quando eu me sinto extremamente feliz e cheio de tudo e de todos tu estás, mais uma vez, lá, para me apoiares com o teu sorriso.
Quando acordo é a tua mensagem de bons dias que me faz ir a correr ligar o telemóvel
Quando me deito é a tua mensagem de boa noite que me faz não ter pesadelos.
Quando tenho medo basta-me sentir, ainda que imaginariamente, a tua pequena mãozinha morena tocar na minha, encaixar-se nela e absorver todas as minhas energias negativas.
Quando tenho dúvidas e bloqueios basta-me olhar para os teus olhinhos castanhos e brilhantes ou para o teu cabelinho lindo a ondular ou vento que só penso em seguir em frente.
Porque todos os problemas da minha vida se resolvem com um amo-te teu,

Porque tu estás cada vez mais a fazer parte de mim e do que sou,
Amo-te minha Maria.

Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

"Digo apenas a verdade"

Digo apenas a verdade
podes não gostar de ouvir
mas não o faço com maldade
apenas não me apetece mentir

Seria tão mais fácil
fazer-te a vontade
virando-te as costas,
e sem caridade
perguntar-te se gostas

quando te digo que te amo
não é apenas por dizer
é porque preciso de o fazer,

peço-te apenas que me oiças
ainda que como um estranho
e percebas como é não ter
alguém por quem morrer.

D. Pessoa.

Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Cinismo

Mas o que será o cinismo senão um eufemismo?
Um sentimento inibido, um desejo reprimido, um sorriso comedido?
Não é arte e muito menos faz artistas. É sim uma forma muito discreta de dar pistas, de dizer o que não sentimos para os ouvintes imbuirmos do espírito de que tudo o que lêem nada mais é do que uma negação absoluta do que sentimos.

Porque adoro o teu cinismo, ainda que o resto me provoque repulsa,
D.Pessoa

Domingo, 24 de Janeiro de 2010

Tu.

Sinto-me vazio,
com a ausência de ti,
precisava de te ter
aqui ao pé de mi

Vivo uma vida vazia,
repleta de espaços abertos
que tu vieste calmamente
um por um tornar cobertos

Um só segundo sem ti
torna tudo mais negro
apetece-me apenas ficar aqui
e não mais me mover

Tenho a almofada na cama
a cama por fazer
e uma vontade crescente
de o meu corpo dormente
de uma só vez lá meter

Não me apetecer viver
muito menos pensar
nada tenho para agarrar
que me possa sossegar

Aparece, suplico,
sem ti, aqui fico
sem objectivo derradeiro
à espera do que vier primeiro

Não me perguntes o porquê
deste meu sentimento
quero apenas o céu
para o meu rosto cobrir
com um grande véu

O mundo em meu redor
nada mais é do que aquele mundo
que eu já sei de cor.

Sem ti para olhar
apenas consigo definhar
e sem sequer pensar
o teu nome clamar

Sinto-me lento e cansado
consumido de saudade
de quem não só te ama
como o faz de verdade

Vem, mas não tardes
que quando chegares posso estar
num sono tão profundo
que não me conseguirás acordar.

A ti, V.S.
Adoro-te,
Diogo Pessoa.

Domingo, 17 de Janeiro de 2010

Acordar

Acordei.
Lentamente, abri os olhos e encarei o escuro que me rodeava. Não se via um único indício de luminosidade a não ser algo muito ténue que passava por baixo da porta. Neste pequeno quarto no qual estou, vivi toda a minha infância.Aqui dormi praticamente todas as noites da minha vida, até há 3 anos. Estaria já na altura de me levantar? Sabe tão bem dormir! Fechei então os olhos como que recusando a mais do que real situação de que, daí por momentos, teria de me levantar, vestir, e toda aquela rotina característica do "levantar". Parece-me, hoje, que talvez tenha tido esta mesma atitude perante a vida. Viver com os olhos fechados é, por vezes, bastante compensador. Amplia-nos outros sentidos. Aliás, tenho para mim que o que falta a muitos de nós é precisamente termos um tempinho para fechar os olhos e pensar. Mas, todos sabemos, não se pode viver eternamente de olhos fechados para o que não podemos encarar. Abri-os lentamente para não me ofuscar com a luminosidade que rodeia a minha vida e pensei. Não, tenho de corrigir-me perante certas pessoas. Como que tornar-me mais simpático. Mais humano. Haverá com toda a certeza pessoas com as quais não deveria sê-lo mas que o passarei a ser. Haverá outras ainda que não mereceriam mais do que o meu desprezo e às quais eu pedirei paz. Por vezes, é preciso vulgarizarmo-nos, ainda que, obviamente, mantendo-nos invulgares. Oxalá valha a pena.
D. Pessoa.

Domingo, 10 de Janeiro de 2010

Ad infinitum.

Para o infinito.
Não era nada disso que eu tinha pensado. Mas foi para lá que tu despachaste as coisas. Sabes perfeitamente que a minha atracção por ti não é nova. Nem um pouco mais ou menos. Já há muito que deixaras de ser aquela criancinha do externato que chegara ao meu imponente Colégio, aquele que ainda chamo Meu. Iniciaste uma época da minha vida em que tive tendência para pessoas pequeninas, da qual tu és um grande exemplo. Assolam-me, agora, recordações vindas não sei de onde. Da tocha. Momentos felizes que já lá passei. Lembro-me quando jogávamos, nitidamente, ao jogo do gato e do rato. Como se fossemos uns quaisquer seres, com um ritual de cortejamento muito próprio. Mas lá está, o gato e o rato são, muitas vezes, feitos para nunca se separarem. Lembro-me, à entrada do parque de Campismo, quando comecei a chorar. Como nenhuma rapariga, até hoje, mo fez. Tudo por causa de uma maldita frase entre parêntesis. Que eu queria, mais do que a mim mesmo, que tu tirasses da tua resposta.Talvez que venha daí a minha aptidão para as Humanidades. Meteram-se pessoas no meio de nós. Mas, ainda assim...enquanto eu era uma criancinha, sim porque, apesar de o mundo inteiro não o saber, eu fui uma criancinha, conseguiste marcar-me. Dizem que a primeira paixão nunca se esquece. E tu foste, de facto, a minha pequena grande paixão. Se reconheço que não sou muito versado nas coisas do coração, essa é das poucas coisas que "oiço" que posso afirmar serem verdadeiras. Lembro-me agora do nosso FIM DE SEMANA e daquela música "OLHA PARA A CRUZ É A MINHA MAIOR PROVA", que estou a ouvir agora mesmo. E a chorar. Marcaste-me tanto. "Ninguém te ama como eu". Mas pronto. As coisas passaram-se. E quis o destino que no fim do 9º ano nos separássemos. Apesar de estarmos, diariamente, a pequenos metros de distância, continuas na mesma. Reticente.
Não percebes que, cada vez que eu carrego duas vezes por cima de cada janela de conversação é uma reminiscência de tudo isto. Quando te digo que gosto muito de ti, não são palavras fáceis. Podem ser com muita gente. Mas não contigo, porém.
E, ainda assim, tu continuas reticente.
Faz-me chorar o coração que eu suporto.
Diz-me que "não vais sair de casa" que eu suporto.
Diz-me que "não te dá jeito" que eu aguento.
Ri-te na minha cara que eu aguento.

São esses pequenos olhos castanhos
com uma pequena irís negra
que me fazem ter sonhos estranhos
de uma época que passou há muito

É o ver-te mexer no cabelo
exactamente da mesa forma
como o fazias há 5 anos
ficando indiferente ao meu apelo
um berro, um auxilio que ninguém toma
como sério e verdadeiro.

É por continuares com essa atitude,
que eu tive que te escrever isto,
aquilo que tu tratas com desprezo como "isso".
Aquilo que tu irás continuar a ignorar eternamente,
colocando tudo e todos à minha frente.
Aquilo que apenas me ridiculariza e me torna pequenino.

Mas ainda bem que o fiz.

Adoro-te M.

Pessoa.

Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Originalidade

Originalidade. Uma competência tão desejada, mas o que é isso? Será dizer uma coisa da boca para fora e ponto? O que é na verdade não sei ao certo nem procuro saber, posso apenas afirmar tê-la vivido, e ainda bem, uma poucas vezes na vida. As últimas apareceram no seguimento de uma das melhores coisas que me aconteceram na vida. Apaixonar-me por ti. É esse sentimento que me faz viver cada dia que passa como se fosse um conto de fadas. Acordar dia após dia bem disposto quer durma quatro ou treze horas. É o que me faz saudar as pessoas logo pela manhã com um sorriso rasgado. É o que me faz querer ouvir música em altos berros e cantar ainda mais alto. É o que me faz querer escrever até ficar sem tinta!É o que me faz abrir o armário todos os dias e querer escolher as roupas mais estapafúrdias porque o aspecto exterior é o que menos me interessa, porque sei que me amas tal como sou. É o que me faz sonhar com um reinado onde eu sou rei e tu és "senhora, rainha do tempo sem fim". Ou pelo menos era isto que eu gostaria, pelo menos era isto que eu esperava quando deixei encher o meu coração do teu vermelho e preto. Mas não. Não foi nada disto que me aconteceu. Acho que, afinal, apenas me tornei mais arrogante. Mas não deve haver problema. Não é nada com que eu não saiba lidar. Detesto-te profundamente.

Diogo Pessoa.

Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Viagem

Sentado. Auscultadores nos ouvidos, Paulo Gonzo-Espelho de outra água. À falta de melhor, decidi escrever. Abri a janela do lugar 9B do Airbus 320, que conservava até aí fechada. Não há palavras para descrever o cenário que se encontrava à minha frente. Um imenso manto branco, fofo, aveludado, entre cortado por um azul celeste. Já me encontrava sentado há duas horas, o vento estava contra nós e o TAP 839 lá seguia lentamente para Lisboa. Há muito tempo que partira de Roma e há já algum tempo que deixara para trás o mar. Agora, sobrevoava Espanha, da qual pouco se via por causa das nuvens. Iria aterrar no Aeroporto Internacional da Portela daí a algum tempo e estava na hora de fazer o balanço. Para trás ficou um semana fora de série, cheia de aventuras e descobertas. Algures abaixo dos meus pés vai uma mala que comprova isso, mas não era sobre isso que queria fazer o balanço. Não. Interessa-me mais o que ficou para trás quando vim, o que iria encontrar agora. Na última semana abdicara de algumas amizades e relações das quais sinto falta, ainda, R. Não esperava, na verdade, que percebesses o que te quis dizer, até porque era para mim próprio bastante complicado de o fazer. Mas talvez por ter encontrado aquela que era sem dúvida a "mulher da minha vida" - tu, e não ter sabido lidar com isso tivesse feito asneira, mais uma vez. Desculpa-me por isso. Quero que saibas, no entanto, que era contigo e só contigo, que eu sonhava rebolar por este imenso mar de ondas como se não houvesse amanha. Mas há! Subitamente caímos numa das brechas que se abriam entre as nuvens. E não em Portugal, não em casa, onde tu merecerias e eu gostaria. Caímos num terreno incerto, indesejado. Tento, neste momento, encontrar um GPS para atravessar contigo a fronteira. Vens comigo?


Tap 839 - Leonardo Da Vinci - Portela.

15.46.

Diogo Pessoa
"AB VNO AD OMNES, M.P., M.M.".

Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

B.

B, decidi chamar-te. Não porque não tenhas um nome mais do que bonito, mas apenas porque chamar-te pelo nome não me preenche, e não pode ser apenas mais um daqueles banais. Tu és tudo menos banal.
Prometi-te, já há algum tempo, uma carta. A segunda. Mas, espero que saibas, não foi por má vontade que não o fiz, foi sim por falta de tempo.
Desculpa. Provavelmente vais achar todo este texto muito esquisito, muito forçado, para alguém que, "não te conhece". Reconheço que, de facto, não te conheço, B. Mas se houve algo que aprendi contigo foi que a confiança, por vezes, não se explica. Tem-se, nutre-se e perde-se sem qualquer tipo de explicação. E, ainda bem que mo explicas-te, porque fizeste-me entender o que se passava contigo :).
Adoro-te, demasiado banal, amo-te, demasiado gasto. Nada disso dava para transmitir fielmente o que sinto por ti, B! Desculpa-me quando to dizia inúmeras vezes por dia. Mas nem que to dissesse de segundo a segundo chegaria. Que tens tu, afinal?
Não vou comentar a tua testa, que tive o privilégio de conhecer naquela sexta, muito menos o teu maravilhoso nariz, nem a tua postura superior, que tens, de facto. Posso, eventualmente, referir o quão magnificente és quando trajas de branco, mas, até isso, não é nada que não saibas, já. Transmites-me força, bem estar. Sabes, porém, que há vezes em que me consegues por a tremer da cabeça aos pés, com medo de ter feito algo incorrecto, que fosse do teu desagrado mas, ainda bem, não se ama sem sofrer, não se sofre sem se amar. Chato, sou-o, de facto, muitas e repetidas vezes, mas é que...é incrivelmente difícil não o ser, B. I want you...não de uma maneira simples, como uma simples ou mera colega, não. Quero-te muito, muito mais perto de mim, muito, muito mais perto do meu coração.

A tua veste branca
a tua pose altiva
a tua atitude franca
que fulminantemente me cativa

O teu cinismo exacerbado
o teu nariz bem colocado
o teu gorro encarnado
o teu olhar recatado

és, de facto, tudo isto
mais ainda assim, muito mais
porque, quanto mais eu insisto
mais tu me atrais.


"A ti, B." -Fazia parte do texto original, mas não o mereceste.

Diogo Pessoa.

Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Patio dos saberes.

R., disse-te, anda, vem ter comido ao elevador. Esta era uma das pequenas coisas que me faltava fazer em Coimbra. Andar no elevador do mercado D. Pedro V. Não pelo mercado, que apesar de ter estado ligado a ele, me dizia, agora, muito pouco, mas pelo seu engenho. São poderosas as obras humanas e este em particular suscitou-me interesse. Mas, sabia-o, mais importante que isso era o sítio onde este nos iria levar. Aproximei-me da porta e foi então que li o aviso:"Encerrado para manutenção". Não!, pensei em pânico, tu já estavas a vir, tinha de arranjar uma solução. Chegaste e disse-te, o elevador está em manutenção, vamos de autocarro. Não te disse para onde, esperei impacientemente pelo meu 103, que demorou demasiado em relação ao que estava à espera. Mas chegámos "Próxima paragem, Universidade". Saímos ali para os lados da Física e percebi a tua cara confusa: "Mas para onde me levas?". Respondi-te com o olhar que me seguisses, que não parasses. Passámos todas aquelas faculdades até chegarmos ao objectivo final. Passámos a porta férrea e alcançámos o pátio das escolas. Levei-te para a varanda e fez-se uma pausa. Olhámos os dois para a paisagem que se mostrava radiante, com um sol de Inverno, à nossa frente. Fixei o teu olhar confiante e comecei como que a ver, dentro dele o nosso futuro. Sim, era contigo que eu queria estar, eras tu que eu queria ao meu lado. Eras tu que eu queria como Rainha do meu Reino, aquilo que iríamos construir um dia. Não fazes ideia porque te trouxe até aqui pois não? Respondeste-me negativamente. Peguei na tua delicada mão e disse-te:
"Olha à tua volta, aqui tens a Faculdade de Direito, onde me quero licenciar, aqui tens a Sala Grande dos Actos em que me quero Doutorar. Aqui vês, olhando à tua volta, as paredes que me irão albergar durante alguns anos, enquanto procuro desenvolver as competências que de melhor tenho, contigo ao meu lado. Aqui vês também a Capela de S.Miguel, local provável de casamento. Aqui vês uma reitoria, onde se apeou em tempos o homem que mais admiro e reformou todo o ensino aqui ministrado, numa reforma revolucionária. E agora, olhando à tua frente vês a minha Cidade, de todas aquelas que conheço e de todas aquelas em que viverei, a única que merece letra maiúscula, porque "chega a ter saudades dela quem nunca lá viveu". Não há sítio que mais me diga do que este, e foi por isso que te pedi para vires comigo aqui. Porque o teu apoio é fundamental, porque só contigo ao meu lado eu serei grande, tão grande que todos os problemas que tenha serão minúsculos ao pé de ti e é por isso que te peço R, não me deixes nunca, mas nunca. Porque no dia em que me deixares todo isto será insignificante para mim e o Mondego transbordará com as minhas lágrimas contínuas.



A ti, que és gigante na minha vida, Mana<3, te agradeço por uma das melhores Terças-Feiras da minha vida.

Diogo Pessoa M. Cardoso
"AB VNO AD OMNES, M.P., M.M"

ESCRITO A 29-11-09;
QUINTA DO ROSSAIO.

Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

A universalidade do Universo.

Vivemos hoje, mais do que nunca, num mundo dividido. Divididos e isolados é a única forma que temos para viver. Ocorre-me agora aquela famosa expressão "Dividir para Reinar". A organização social é feita, como sempre, por grupos. Não os grupos de antigamente, é óbvio, esses, felizmente, conseguiram acabar, pelo menos em teoria, com o 25 de Abril de 1974. As pessoas têm uma necessidade intrínseca de se reunir em torno dos mais semelhantes a si mesmos e, juntos, viverem melhor porque se acham correctos. E isso preocupa-me. Não consigo identificar neste país nenhum grupo social que funcione em si mesmo de uma forma que me pareça a mim adequada. De destacar, essencialmente, a juventude. Cada vez mais ocupada em coisas fúteis e sem o mínimo interesse construtivo vão, esses sim, hipotecando o futuro do país em si, consequentemente o seu próprio futuro(bem, não necessariamente uma vez que há sempre quem esteja à espera da mínima oportunidade para "fugir" para o estrangeiro). E essa situação vai-se começando a repercutir um pouco por todas as faixas etárias. Faltam o decoro e os costumes de antigamente. Falta um pulso forte a muita gente...faltam...umas boas horas a pensar e a reflectir...falta...
O TEMPORA O MORES!

Coimbra, 7-09-09
Diogo Marques Cardoso

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

"So porque estou a perder nao quer dizer que tenha perdido."

So porque estou de saida nao quer dizer que tenha partido. Nao desisti de ti, apenas te quero de uma maneira maneira diferente. Todos nos vamos perdendo pequenas batalhas ao longo da vida, mas todos sabemos que a moral e a moralizaçao tem duas vertentes. Quem tudo ganha tem confiança porque nunca perdeu. Quem sempre perdeu pode estar igualmente confiante porque algum dia tem de ganhar. E, contigo, EU fartei-me de perder. é apenas isso...agora é a minha altura de ganhar, porque eu nao nasci para perder.
29-08-09
0:53
Prati, Roma, Italia.
Diogo Marques Cardoso
"AB VNO AD OMNES, M.P., M.M.."

N.T. Os acentos estao omitidos em todo o texto por razoes tecnicas de impossivel resoluçao.

Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

A te

E por ti, Anabela
pintei teu belo rosto
num quadro de aguarela
com fundo cor de mosto

os teus lábios bem esculpidos
os teus olhos ternos
os teus gestos contidos
os teus traços eternos.

a tua companhia é perfeita
a tua presença cativante
e assim, desta feita,
te considero fascinante.

desculpa me o atrevimento
mas pela tua capacidade de seduzir
não há qualquer hipótese de esquecimento
do teu modo de ser, de agir de sorrir

e para terminar quero apenas mandar
um doce e leve beijo
que te irá beijar
enquanto eu durar.

Diogo Marques Cardoso
"AB VNO AD OMNES, M.P., M.M.."
Diogo Cão, Buarcos,Figueira da Foz

Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

O tempo que passou...não volta mais

Vinte Anos
José Cid

Refrão: Vem viver a vida amor
que o tempo que passou não volta mais
sonhos que o tempo apagou
mas para nós ficou esta canção

há muito muito tempo, eras tu uma criança
que brincava no bailoço e ao pião
tinhas tranças pretas e caçavas borboletas
como quem corria atrás de uma ilusão

há muito, muito tempo era eu outra criança
que te amava ternamente sem saber
vinhamos da escola e oferecia-te uma flor
que tu punhas no cabelo a sorrir

refrão:

vinte anos mais tarde, encontrei-te por acaso
numa rua da cidade onde moravas
ficamos parados e olhamo-nos sorrindo
como quem se vê ao espelho pla manhã

dei-te o meu telefone, convidei-te pra jantar
adoraste ver a minha colecção
pelo tempo fora continuámos unidos
e cantámos tanta vez a canção

refrão:

daqui a vinte anos, quando tu já fores velhinha
talvez eu já não exista pra te ver
ficas á lareira a fazer a tua renda
mas que importa se recordar é viver
...
http://www.youtube.com/watch?v=i6Uy2rRIuxk&feature=related

É isto mesmo...recordar é viver. E acreditem...o tempo que passou não volta mais.
Façamos de cada dia que passa uma canção.
CARPE DIEM
Coimbra
Diogo Marques Cardoso
"Ab vno ad omnes, M.M."

Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Esta Noite

Sentado na varanda, corria uma ligeira aragem de frio. Disseste que estavas demasiado cansada para sair, e que estava frio. E assim fizeste. Eu cá não me deixei demover. Fui eu passear até à 25 de Abril e por lá fiquei(tenho até a impressão que deverei aparecer na televisão durante o dia de amanhã na RTP). Virei costas e percorri a marginal toda e direcção à rotunda do pescador. Pelo meio fiz umas quantas chamadas. Sabes bem como eu aprecio estes momentos...completly alone, mas tudo tem limites. Virei costas e agora encontro-me aqui, a contemplar o mar. À minha volta está apenas ar. Nos prédios circundantes acabou de se apagar a última luz acesa que restava. Fixo os olhos nos mar e percebo que afectas mais a minha vida do que o que achava que afectavas. Mereces. Talvez amanhã te convide para jantar, talvez amanhã seja diferente, talvez...

Diogo Cão, Buarcos
03-08-09
Diogo Marques Cardoso
"Ab vno ad omnes, M.M."

Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Agradecimento à tua existência

Agradeço-te por aqui
porque não tenho mais meios
de expressar sem rodeios
como eu gosto de ti.

Atravessaste-te na minha vida
e não tiveste de muito tentar
para me conseguir conquistar
com a superioridade que te é devida.

O teu tamanho só ilude
e a tua forma de ser
dá-me apenas mais força
para eu próprio querer
que a minha vida mude.

Não és comparável a ninguém
és única na tua existência
e criaste em mim dependência
como mais ninguém tem.

E por isso te estou grato,
devido a esse dom nato
por não me deixares afogar
no mar que é a vida
quando eu não consigo nadar.

Gosto muito de ti,
A.P.A.

Sábado, 18 de Julho de 2009

“Gestos banais. Parecem pouco, mas talvez sejam fundamentais.”

Entraste. Tinha-te pedido que viesses falar comigo. Combinámos naquela que há já 2 anos era a nossa casa. Pequena, aconchegante mas suficientemente perfeita para nós dois. “Diogo”, chamaste.
Não respondi…Avançaste hesitante em direcção ao quarto, aquele cantinho da casa onde tudo atingia o auge da perfeição, onde tudo se tornava menor e insignificante comparado com “o nós”.
“Olá”, disse-te. Seguidamente premi o interruptor e a luz de uma das mesinhas de cabeceira acendeu. O quarto ficava assim com uma iluminação bastante ténue, mas suficiente para nos vermos um ao outro… Como se fosse preciso luz…Já conhecia as tuas feições de cor, cada traço do teu corpo, cada segmento do teu cabelo. Tudo incrivelmente perfeito.
“Disseste que precisavas de falar comigo. Fiquei preocupada. Que se passa?“
Ana, respondi-te, está tudo bem. Apenas percebi que estava atrasado numa coisa, que há muito devia ter feito.
“E que coisa é essa, estás-me a deixar confusa”. Lentamente começou a olhar para o quarto em volta, reparou nas folhas de tulipa vermelha, a sua flor preferida, espalhadas pela cama.
Do nada ele premiu o botão do telecomando da aparelhagem para criar ambiente, com aquela música que eles tão bem conheciam.
Sabes... Eu sei que “os gestos banais parecem pouco… mas talvez sejam fundamentais”.
“Como assim?”, perguntou ela confusa.
E eu decidi. Chegou a altura. Olhei para cima, respirei fundo, ajoelhei-me aos pés dela, coloquei a mão no bolso e retirei de lá o anel de diamantes que já era de família.
Ela ficou estupefacta, mas eu não desisti, não podia desistir, ela significava demais para mim…
“Ana, casas comigo?”


Quinta do Rossaio, 18-07-09

Diogo Pessoa

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Vocês

Estava parado, sentado para ser mais preciso, em Vila Nova de Gaia. Mais concretamente sentado num banco da estação da CP, em General Torres. Comecei a olhar em volta e verifiquei então que muita gente me rodeava. Fiquei contente! Não gosto de me sentir sozinho na vida. Olhei para o painel electrónico. O comboio que havia sido anunciado não era o meu. Não... Por mais que quisesse entrar neste e acompanhar as pessoas que me rodeavam não o podia fazer. Assisti, assim, impávido e sereno à entrada das pessoas no comboio e à redução abrupta das pessoas que perto de mim se encontravam. Comecei a pensar e a pensar. Faltavam apenas 2 minutos para o meu comboio. Ouvi o comboio, o meu, ser anunciado e, já no interior do mesmo, cheguei a uma conclusão.
O que é isto senão a amizade? Estamos a todo o momento rodeados de pessoas, a maioria das quais se diz ser nosso/a amigo/a mas que, infelizmente e por muito que doa, à primeira oportunidade abraçam os projectos que lhes interessam, não se importando, assim, de deixar quem neles confiou para trás. No entanto, e ainda bem, há sempre aqueles, os verdadeiros amigos, que ficam connosco até ao fim, que nos ajudam a concretizar os nossos projectos, os nossos sonhos, não nos trocando por nada deste mundo. É verdade que estes são, de facto, em muito menor número do que os nossos supostos amigos e conhecidos, mas são melhores e mais valiosos do que qualquer um deles. Obrigado a todos vós, verdadeiros amigos.
Sois todos muito importantes.

Estação CP de General Torres.
18.25.55


Diogo Pessoa.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Piscar de Olhos

João, Joãozinho como era tratado pelos amigos, tinha apenas 8 anos, mas oito anos de brincadeira e de alegria. Nunca no decorrer da sua curta vida tivera problemas. E como brincava! Era uma criança feliz. Só não gostava muito de estudar matemática, porque achava uma seca, mas de resto era muito bom aluno. No recreio gostava particularmente de jogar à bola com o Luís, o Miguel e o Diogo, que eram os seus melhores amigos. Mas não era essa a sua brincadeira preferida. Não! O que ele mais gostava era dos fins-de-semana. Aos domingos de manhã, muito cedo, acordava e ia para casa dos avós. E que grande alegria que era! Começava sempre por ir com a avó à missa. Muitos dos seus colegas dizia que achavam um aborrecimento ir à missa, ao domingo. Ele não os conseguia perceber. Quando chegava à capelinha da aldeia sentava-se no banco e esperava ansiosamente que a avó fosse ler a leitura, costumava ser sempre a primeira. Sempre gostara muito da avó, mais até que do avô. Era uma senhora calma, tranquila e que emanava serenidade. Um dia a avó dissera-lhe:”Joãozinho, se te aplicares na escola e fores um bom menino poderás tu também vir, um dia, a ler uma leitura na missa”. E como ele esperava esse momento!
No fim da missa voltava para casa da avó e iam almoçar. A avó cozinhava muito bem. As batatas fritas que ela fazia eram as melhores! No fim do almoço iam sempre passear, ou então iam à pesca. Uma vez, no fim de almoço, a avó estava a fritar batatas para por no anzol e o Joãozinho, achando aquelas batatas mal empregadas para esse fim, comeu-as.
E era assim que Joãozinho passava os domingos. Um dia, porém, apercebeu-se que algo não estava bem. A avó tinha começado a perder cabelo e estava já quase careca. Já não era aquela avó enérgica, brincalhona, que ele conhecera. Não. Agora era uma pessoa cansada, debilitada…Joãozinho tinha esperanças que ela um dia voltasse a ficar como dantes. Mas um dia, o pai chegou a casa de noite e foi até ao quarto do Joãozinho, sentou-se na cama a chorar e só consegui dizer…”João, a avó morreu…” Joãozinho, ao ouvir isto, abraçou-se ao pai com um abraço muito forte e começou também ele a chorar. Pela sua cabeça começaram a passar-lhe imagens da avó e das suas brincadeiras…e das missas. Lembrou-se então que uma pessoa bondosa como a avó só poderia estar no céu, para onde iam, como aprenderam, todas as pessoas boas. Lembrou-se da última vez que tinha estado a brincar com a avó, e de quando ela lhe piscara o olho, pela última vez. E foi essa a imagem que guardou no coração, da sua avó, que ainda hoje, de onde está, o acompanha cada dia da sua vida.

À MEMÓRIA DE M. A. Marques

Diogo Marques

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

E esta és tu, meu amor.

E esta és tu meu amor, aquela que me dá conforto quando estou incomodado, que me aconchega nas noites em que acordo tremendo de frio, aquela que me mexe no cabelo para que adormeça, aquela com quem partilho as minhas preocupações, que se tornam, assim, mínimas, aquela que me torna forte quanto me sinto fraco.
Não fomos obra do acaso, não fomos obra de Deus, não fomos obra do Destino. Apenas nascemos um para o outro, como nasce o sol para o girassol, como nasce a água para os rios, como nasce um bebé para os pais. Não sei o que seria da minha vida se tivesse que viver cada segundo dela sem ti, porque cada hora em que estou contigo me parece um segundo, e cada segundo em que estou sem ti me parece uma hora. Podia suplicar-te que nunca me deixasses, podia suplicar-te que nunca me abandonasses, mas não. Não farei nada disso porque nós formamos uma aliança cósmica, um acordo tácito. Não existimos um sem o outro, vivemos um no e para o outro.
Amo-te, meu amor.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Dia Terceiro.

Liberta-te! Vai! Sê Feliz!
Nunca te prendas verdadeiramente. Nunca abdiques de ti. Nunca te dês a ninguém, ao ponto de te perderes para essa pessoa. Nunca ames sem seres amada, nunca dês, se nada te é dado. Porque se o fizeres estás a abrir mão do bem mais preciso que tens. Tu mesma. Ainda que pareça estranho, ainda que tenhas sempre ouvido o contrário, não o faças. Ouve os elogios de quem te quer bem, as críticas de quem te quer melhor mas, acima de tudo, ouve-te a ti, porque só tu podes mudar, só tu podes ser feliz em ti mesma. Vive com força cada momento da tua vida, porque só tu poderás afirmar, no fim, que valeu a pena. Força! Tu és grande, muito grande.

D.Pessoa

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Dia Segundo.

Boa tarde! Hoje não tenho muito para dizer mas, para não deixar um dia em branco na narração iniciada ontem, aqui vai. Já passei por inúmeros sítios no decorrer do dia de hoje, daí que esteja manifestamente cansado. De momento encontro-me de baixo do chapéu de sol, a olhar para uma piscina em forma de L, onde dei o meu primeiro mergulho deste ano, numa quinta situada algures no Alentejo. Ao longe observo o campanário azul, da igreja local, bem ao maravilhoso estilo Alentejano. Mas não vale a pena falar, pois em breve divulgarei imagens, amanhã partirei outra vez e duvido que consiga escrever. E agora, ao soar dos sinos das 7 e meia, opto por me despedir.
Com os mais saudosos cumprimentos.
Diogo Pessoa
Sousel, Portalegre.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Dia Primeiro.

E foi assim...com o toque das 18.30, aquele toque que tantas vezes ouvira, que se encerrou e se encetou um ciclo da minha vida. O 10º ano estava feito e, diga-se de passagem, muito bem feito. As notas expectavam-se boas, logo se vê o que o futuro nos reserva. E pergunto-me hoje, um dia depois, o que fica para trás, o que terei eu perdido? Nada, pensei. No fundo nada! E para trás, pela primeira vez na minha vida, para trás não ficavam pessoas, com o arranque das férias, não me iria envolver na minha vida e deixar todos aqueles que fizeram parte da minha vida durante este ano lectivo, para trás. Não. Para trás, aprendera(em boa verdade ensinaras-me tu, cato) que para trás não ficam pessoas, ficam memórias, ficam momentos, e que, mesmo esses, podem acompanhar-me no coração, se eu assim o quiser. Faço hoje, um dia depois do seu terminus( pelo menos para aqueles que se baldam na sexta), um balanço bastante positivo do seu ano. Conheci pessoas muito diferentes, realidade muito complexas, às quais tentei adaptar-me, modificar-me, mas com calma, afinal, uma boa parte de mim e do que tenho de melhor resulta do facto de ter sido um menino de um colégio católico. E do que conheci este ano, umas coisas interiorizei e mudei, outras aproveitei como exemplos de coisas e atitudes que não devo fazer, especialmente quando esses exemplos "estão mesmo atrás de nós". Mas sim, foi um ano bastante positivo, em todos os sectores e campos. E digamos que não podia ter acabado de forma melhor. Com o almoço e a tua visita à minha place,c, e com o ter apanhado o autocarro para o Sobral Cid contigo, R, que estavas completamente doida, mas pronto, é por seres assim que és tão especial. Quanto a ti, que me mandas-te amadurecer, agora sim, agora rio-me de ti, por seres um ser pequenino e insignificante da minha vida, que te consideras mais madura que tudo e todos, quando na verdade, e agora sei-o, não o és. Eu posso não o ser e, admito, estar muito longe de lá chegar, mas acredita...tu não estás nem um milímetro mais perto. E acho que, por hoje é tudo, queria apenas agradecer às pessoas que de forma mais directa ou indirecta contribuíram para mudar a minha maneira de ser, R, C, F,B,T,etcetcetc.
10-06-08, Dia Feriado, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, pelas 21 e 26, de Santa Clara, Coimbra, Portugal.
Do teu, porque foste tu quem o criou,
Diogo Pessoa

Domingo, 10 de Maio de 2009

INTEMPORALIDADE

Tu és para mim
A alegria na tristeza
O inicio no fim
A suavidade na rudeza.

Tudo o que fazes comigo,
Tudo o que provocas em mi
Consegue ser mais dourado que o trigo
Mais profundo de tudo o que até hoje vi

Tu que me acompanhas no dia a dia
Vês virtudes inigualáveis
Onde os outros seres comuns
Vêm defeitos incontestáveis

A ti, que eu já magoei
Muito mais do que devia
Destes-me certezas quando duvidei
Abrigo quando chovia
Calor quando de frio tremia.

E porque nunca te foste embora,
Resta-me apenas esperar
Pelo dia em que o farás
E tuas costas para mim voltarás

Mas até esse dia chegar
E porque preciso de ti
Para minhas lágrimas secar

Resta-me apenas pensar
Com extrema tranquilidade
Que talvez tudo isto esteja guardado
Pela protecção da INTEMPORALIDADE.

A TI,
DIOGO PESSOA MARQUES.

Domingo, 19 de Abril de 2009

A uã dama mui nobre,

Chegaste naquela tarde de Primavera
Em que o sol não viera,
Acabando com a minha amarga espera.

Vinhas bela como sempre,
Com aquele casado quente,
Que envolvia todo o teu corpo,
Um Canon de perfeição
Um foco de paixão.

Esboçaste um sorriso
Branco como a neve
Tão perfeito como breve.

Respondi-te com um rasgar de lábios,
Ausente dos meus gestos sábios.
Tu bloqueias qualquer acesso de inteligência em mi,
Embebedas-me daquela essência,
A essência que há em ti

Tornaste a minha tarde perfeita
A minha alma satisfeita
Só com a tua companhia,
Naquela tarde em que chovia.

E, pelo que fizeste,
Ainda que sem alguma noção,
Só te posso demonstrar
A minha mais profunda gratidão.

A ti, A.R.D.

D. Pessoa

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Despedida Final

O fim.

Aquilo que tanto temia, que tanto odiava, que tanta repugnância lhe provocava, aquilo o comum dos mortais designaria por fim, chegou, “fin”almente.
Totalmente diferente dos possíveis finais com os quais acordou noites sem fio, voltando em seguida a adormecer pensando tratar-se apenas de um pesadelo.
Estiveram ambos tantas vezes perto de alcançar o dito mas nunca o conseguiram porque um deles, maioritariamente ele, acabava sempre por ceder, por desistir, por reconhecer que precisava dela para viver, como do ar para respirar.
Odiava-a mais do que muitas pessoas a quem desejava todo o mal do mundo e a sua vida era um turbilhão de sentimentos. Quando o ódio era mais forte do que o amor que por ela sentia tratava-a como se ela fosse um ser menor, desprezível, indigno da sua confiança, quando se cansava de o fazer e percebia que tal atitude era estúpida e fútil apressava-se a compensá-la com gestos e palavras bonitas (pelo menos ele assim o entendia). Um dia, porém não foi isto que aconteceu. No dia anterior ele havia escrito um texto sincero, que tinha porém coisas não muito agradáveis de ouvir, mas sincero. Ela respondeu-lhe:”Tenho uma ideia diferente…acho que é uma coisa para durar”.
Sentira-se nas nuvens, apesar de não a ter ao pé dele, sentira-se bem, contente consigo mesmo.
No dia seguinte ela dizia-lhe”Foi a gota de água, exageraste, muito. Não te vou responder mais, se quiseres liga”.
E acho que ficou à espera desse telefonema que nunca existiu, talvez por algum orgulho pessoal por parte dele, talvez porque o destino assim o quis.
Ele, no entanto tinha esperanças que tudo mudasse, que tudo voltasse ao perfeito que era dantes. Apesar de lhe ter respondido torto até ao último dia de férias decidira não desistir dela, era-lhe demasiado importante. No entanto, tal não aconteceu.
Aquela cinzenta e chuvosa terça-feira mudou tudo. Ela, continuava a mesma, linda como sempre, para ele ninguém havia mudado muito nessas férias. O que é importante realçar, uma vez que as pessoas mudam, menos ele. Ele continuara o mesmo desde sempre, desde que tinha memória. Nunca mudou nada e, a avaliar pelas suas atitudes não o tenciona fazer.
No entanto, continuou tudo. As 2 aulas que tiveram sentados na sala juntos, a sua capacidade de audição a tudo o que o rodeia e a todos os pormenores, conseguem captar pequenas trocas de palavras, sobre sempre o mesmo assunto, que tanta e furiosa raiva lhe provocam. Porém, nessa tarde tudo foi diferente. As ditas conversas, ela mesmo, (ele ainda olhou uma ou duas vezes pelo canto do olho para trás, porém, não descaradamente como outrora) tudo lhe era indiferente. Já não era raiva que sentia, mas sim naturalidade, indiferença, estranheza. Sim, era isso que ela representava para ele, uma estranha, como qualquer outra pessoa que se encontra na rua porque, e chegara a essa conclusão nas férias, ela não era, na verdade, aquela pessoa perfeita que ele pensava conhecer, ela era mais uma pessoa. Neste mundo de pessoas tão diferentes, finalmente conseguia incluía-la num dos grupos em que agrupava as pessoas, tudo na vida dele se fraccionava, se dividia, entre os que era importante manter contacto, os que com quem se gostava de vir a trabalhar, os magnânimos, os excelentes, os mesquinhos, os interesseiros, etcetcetc. O sorriso dela era apenas mais um sorriso lindo dentre muitos, o cabelo dela mais um conjunto de filamentos de ADN por este mundo, o olhar dela, igual ao olhar daquela pessoa que ela o fizera lembrar, desde o inicio e que até o fim da relação deles fora igualzinha, apenas durara até às férias de verão. No fundo, ele apenas atingira o estádio que ela queria, o de se tratarem como meros colegas, mas ele sabia bem que isso não era solução, que isso apenas manteria viva, nele, a esperança de uma coisa sem futuro, morta.
Tocou para a saída, ele levantou-se, encaminhou-se para a porta, respirou fundo e sussurrou para com ele mesmo:
“Tem de ser, acabou. Para sempre, acabou...”

pretérito perfeito.

"uma flor morreu,
um pássaro caiu,
uma arma disparou,
uma bala acertou,
um sino tocou.


Algo perfeito morreu
e o piano do parque verde tocou
e a água do Mondego chorou"



A TI, QUE FOSTE GRANDE, GIGANTE NA MINHA VIDA,
D. Pessoa

Domingo, 12 de Abril de 2009

Nota de agradecimento.

Queria apenas agradecer-te, publicamente, por tudo aquilo que fizeste ultimamente por mim, mesmo aturando quando te trato mal sem razão aparente, por quando, apesar de não estarmos a dizer nada, continuamos a falar, por não me deixares sozinho quando toda a gente o fez, por me teres ajudado a cicatrizar aquela ferida que se abriu bem fundo em todo o meu ser, por aquela noite perfeitamente espectacular em que tudo foi perfeito, uma vez na vida, por me teres ajudado a ultrapassar e a recuperar daquela mais que tudo que perdi, por seres a minha nova fonte de inspiração...Por tudo,
Um mais profundo obrigado.
A TI(COM MAIÚSCULAS),

D. PESSOA

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Botão Verde

Estava sentado em frente da minha ilustre secretária, mesa do despacho, como lhe costumo chamar. Apenas com uma pequena diferença, hoje não tinha os livros e os cadernos que outrora tivera. Já para não falar na ausência dos maçudos mas muito úteis dicionários de latim. Hoje não. Tenho apenas o meu telemóvel, estranho objecto para ter em cima da minha estimada mesa de trabalho mas, de momento era ele a única coisa que ocupava a minha mente. Já não falávamos há, não sei bem ao certo, no mínimo há quatro dias. Tinha sido a gota de água e tínhamos trocado as últimas mensagens. “Liga-me se sentires muito a minha falta” disseste. Eu disse-te que o faria, e era isso que estava para fazer. Na verdade mal consegui dormir nestes últimos dias, inclusive no dia em que não consegui resistir-te a mandar-te aquela mensagem.
Na verdade, só Deus sabe a falta que me estavas a fazer. Não eras tu em si, se é que me irás entender, mas sim o não te ter. Não preciso de estar sempre contigo, apenas de saber que posso sempre contar contigo, e agora não sabia.
Olhei para o meu telemóvel e desbloqueei o teclado, tecla central e asterisco. Carreguei no botão do lado direito do teclado para a pesquisa dos nomes. Inseri o nome que mais esteve presente na minha vida ao longo destes últimos meses. Apareceste.
Estava tudo à distância de um botão verde. O botão que iria iniciar a ligação. Tinha a certeza que se pudesses atender que o farias. Comecei a pensar, dei um nó no cérebro. Um gesto que sempre fiz tão levianamente mas que agora não conseguia fazer. Talvez por não querer ser eu a dar parte de fraco, por não querer que fosse do meu lado que partisse a iniciativa. Afinal, se eu te magoei tu não o fizeste menos ainda que, como já te tenha dito, nunca te poderei dizer porquê.
E por hoje acho que vou ficar a olhar para o botão todo o dia, talvez que consiga ter coragem e carregar, talvez que prevaleça o rancor e o meu maior defeito que não vou dizer qual é e não carregue, talvez te tenha perdido ou te venha a perder para sempre. Talvez… Talvez tudo isto seja só uma fase má e daqui a uns tempos possa escrever este texto no PRETÉRIO PERFEITO.
Talvez.
A ti,

D.Pessoa.


Mais uma vez um muito obrigado à Ninja pela correcção dos erros ortográficos:P

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Linha

Estava cansado. Bastante. Tinha estado a andar sem destino, tempos infinitos.
Restavam-me ainda duas horas antes de apanhar o regional. Como não tinha mais nada para fazer decidi antecipar-me e dirigir-me para a estação. Cheguei e fui comprar o bilhete, Coimbra-B era o meu destino.
Dirigi-me, assim, ao cais de embarque, mais concretamente o da linha número 1 da estação de Pombal.
Sentei-me e olhei para o grande relógio que marcava 2.45. O comboio era só as 4 e 35.
Percorri toda a estação com os meus olhos. Todo o conjunto arquitectónico envolvente, a que chamamos de “estação”, é, na verdade, acessório. Tudo gira em torno de quatro compridíssimas vigas de metal, que servem de meio de locomoção para os gigantes comboios.
Não sei porquê mas fui assolado pela tua imagem. Apanhou-me desprevenido e humedeceu-me os olhos. Como era bom que tudo fosse diferente. Que estivesses ali comigo, que não estivesse longe de ti. A uma hora de caminho. Fixei o imponente castelo ao longe. Imaginei-me por momentos Senhor da Realeza, talvez até o meu estimado e venerado Marquês de Pombal, dono de uma eloquência soberba, de um poder imenso. Se vivêssemos nesse tempo talvez fosses minha marquesa, quem sabe, Senhora do Reino, Marquesa de Pombal, Condessa de Oeiras, talvez eu não fosse tão arrogante contigo ao meu lado. Ambos sabemos o impacto que tens na minha maneira de ser, o quão me fazer ser mais dócil, mais sociável.
Mas não, ali não te tinha. Quis por momentos esquecer-te, mas em vão.
Voltei a fixar a linha e percebi finalmente o que somos.
A essa hora estavas a apanhar em Coimbra o comboio que te iria levar ao Porto, para passares duas semanas. Quando estivesse a chegar a Coimbra, já tu estavas no Porto. Por mais que quisesse, por mais que tentasse o meu comboio pararia mesmo em Coimbra, não seguia. E lá, eu ficaria apeado mais uma vez, enquanto tu gozavas a tua vida no Porto, eu sofreria por ti, naquela cidade que tanto adoro, sem que tu sequer pensasses em mim. Tenho esperanças que um dia possamos apanhar, os dois, o comboio que nos levará à felicidade, só de ida, e por um preço que possamos, em conjunto, pagar.
Até lá, continuaremos fugidos, desencontrados, ausentes, desterrados. Quem sabe numa outra vida não teremos sido felizes os dois, na nossa mansão senhorial? Quem sabe… Espero que sim, e espero que talvez na próxima também sejamos, nesta somos apenas dois senhores de nós mesmos, independentes e desencontrados.
Acordei deste pensamento pelo anúncio do comboio.
Entrei, sentei-me e fixei a janela.
Vi subitamente a estação ficar para trás e o castelo também, deixei a vergonha e o preconceito, e chorei. Chorei porque sei que sou demasiado sonhador e que tu és uma donzela que eu nunca terei. Chorei porque nunca apanharemos um comboio juntos, chorei porque nunca….Nunca.
Amo-te.

P.S. Um obrigado à Ninja, pelo tempo que despendeu a tornar este texto aceitável.

Sábado, 28 de Março de 2009

MANIFESTO DE CULPA.

E num minuto tudo passou.

Conheci-te.
Não é difícil cativares ninguém. Sabes ter conversas interessantes, muitas e boas.
Sabes impor-te pela tua sabedoria natural. Há coisas na, e perdoa-me a minha arrogância, com as quais ou já se nasce ou pura e simplesmente não se adquire. E tu tens!!!
Combinas boa disposição com inteligência, com saber estar e saber ser.
Apaixonei-me pela tua maneira de ser e decidi conhecer-te melhor.
Comecei-te a conhecer e foste ganhando a minha confiança.
Contava-te tudo. Para ti não tinha segredos nem reservas. Não falávamos muito, sabes bem, mas quando falávamos e apesar de demorares sempre uma eternidade a responder-me no Messenger respondias, e como eu gostava que respondesses…
Adorava quando discutias comigo sobre mim mesmo, quando dizias que eu que não era arrogante, que apenas o queria ser.
Como estavas enganada. Infelizmente sou-o, e muitas vezes com quem não devo.
No entanto há coisas que, achas tu que digo a toda a gente, quando são ditas por mim é porque são verdadeiras. Como a forma com que assinava as mensagens, às quais tu respondias eu também. Não sei até que ponto era verdadeiro.

Naquele dia, naquela aula., não sei o que se passou. Mudaste de repente. Começaste a ser agressiva, a atacar-me livremente e sem eu perceber porque. Em vez de tentar perceber porque o fazias não, levantei as defesas e respondi-te com aquela arrogância que me é tão característica. Partiu, estalou, rachou, quebrou, rebentou….tudo o que lhe quiseres chamar. Aquilo que me puxava para ti partiu-se. Continuaste dia após dia a mandar bocas a provocar. E eu sem responder…Tudo isto num instante…O trabalho que desenvolvemos naquele projecto…a ajuda que deste….gostei de trabalhar contigo.
E por saber que, provavelmente, isso nunca mais acontecerá, não consegui evitar escrever este Manifesto, que sei que muito provavelmente não lerás, ou que se leres não ligarás. Fica escrito no entanto, para ser lido por alguém capaz de perceber, de julgar, de explicar porque tudo “aquilo” passou num minuto.

Diogo P.

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Poema do passado II

Hoje olho para ti
Preenchido da ausência
Que é não te ter aqui
Peço-te, assim, com veemência
Perdão.

Peço-te que me perdoes
Do mal que te fiz
Que me desculpes por tudo
Aquilo que eu não quis.

Se te magoei não foi por querer
Se te prejudiquei foi sem saber
Porque se eu pudesse escolher
Entre a minha vida e tu
Escolheria sem pensar
Ter-te aqui, para te poder abraçar.

Não sei se vais esquecer isto
Ou se me vais esquecer a mim
Apenas queria que soubesses
Que para mim és um misto
De tudo o que há de bom em mi.

Se algum dia te voltar a ter,
Não te irei agradecer
Apenas te irei prender
E nunca mais te deixar ir.

E sem mais que dizer
Com uma lágrima no coração
Te volto a pedir a minha salvação,
O que pode unir os pedaços do meu coração
O teu simples olhar,
O teu olhar de perdão.

D. Pessoa
E
NINJA :D

Sábado, 21 de Março de 2009

O futuro, só a Deus pertence.

Porto, 10 de Agosto de 2003

Corria o dia 10 de Agosto, que se desenhava como um dia de Verão Português. Estava, assim, uma tarde quente e seca. Corria uma aragem quente que tornava o ambiente insuportável.

Sentei-me numa das esplanadas ribeirinhas. Avistava ao fundo os barcos rabelos. Há muito que já não subiam nem desciam o Douro transportando o doce néctar Português. Pedi uma água fresca e instalei-me confortavelmente. Constatei que a zona ribeirinha era frequentada por todo o tipo de pessoas. Crianças que jogavam à bola, casais que aproveitam o “cenário” romântico, idosos que davam os seus passeios, famílias, etc.

Chegou a minha água, Luso de marca, que estava bem fresca. Nada melhor para contrabalançar com o facto de estar a suar em bica. Peguei no telemóvel e consultei as horas: 16.30. Tinha ainda que esperar 2 horas pelo próximo comboio para Coimbra. Pus-me, uma vez mais, a observar o rio, lenta e atenciosamente. Foi quando ouvi um olá atrás de mim. Virei-me repentinamente e foi como um ataque fulminante.

-Mariana? Olá…Por aqui? -sussurrei ainda gago.

-Sim! Posso sentar-me? – Perguntou ela, também afectada pelo calor.

Sentou-se.

Era Mariana da Costa Neves, a única rapariga que nunca esqueceria na vida.

Tínhamos andado durante dois anos, antes da separação. Eu decidira frequentar o curso de Medicina no Porto, ela, ficara em Lisboa, em Direito, pois não conseguira média para entrar em criminologia, também na UP. Tínhamo-nos separado à força e nunca mais nos voltámos a encontrar.

-Que fazes por aqui? Perguntei.

Consegui vaga no curso de criminologia aqui no Porto! O curso de Direito não estava a correr bem e, mesmo perdendo um ano, não hesitei.

Como eu a compreendia bem! Desde que a conhecia que tinha um fascínio pelo mundo do crime. Fiquei então a saber que estava à procura de um quarto para alugar, e assim continuou a conversa…pela tarde toda.

Mandei uma mensagem à minha madrinha para saber se podia ficar mais uma noite em casa dela, Madalena. Obtive confirmação.

Jantámos os dois e continuámos a conversar. Quando demos pelas horas eram dez e meia.

-Ainda vais hoje para Coimbra Perguntei. Agora só tens comboio à meia-noite.

-Sim, respondeu-me. Amanhã tenho de ir a Lisboa buscar o resto das coisas.

Fomos então os dois para a estação de Porto São Bento e de lá apanhamos um comboio para Campanhã.

Trazia comigo a sensação, o pronuncio de mudança.

Fiquei de falar com a Senhoria do meu prédio, que me tinha perguntado se não sabia de ninguém interessado em alugar um quarto. Voltei a gravar o número dela no meu telemóvel e ela o meu.

Abraçámo-nos com tanta força que, por nós, ficávamos ali para sempre.

Seguimos ambos para o cais das linhas 1 e 2. Ela ia no regional da linha 1 para Coimbra e eu no Urbano da linha 2 para Valadares.

Subimos ambos para o comboio e ficámos na porta a dizer adeus. Um minuto volvido estava o meu comboio a andar. Amo-te, sussurrei para mim mesmo….Porque há coisas que nunca mudam.

E assim fui, até Valadares com a imagem dela na cabeça…Quem sabe como isto irá acabar….quem sabe…O futuro…só a Deus pertence.

N.B. Gostava de salientar que este texto é obra de pura ficção, sendo que qualquer coincidência com a realidade é puro acaso. Não sou estudante universitário, nem pretendo seguir medicina. Não conheço a zona ribeirinha do Porto, porque nunca lá estive e nem sei mesmo se as condições descritas neste texto são reais ou sequer possíveis. Sou apenas um estudante do Secundário, em busca da arte de bem escrever, Obrigado.

Poema do passado

Por tudo o que passámos, juntos, e que não mais voltaremos a passar:

PORQUE UM DIA HEI DE MORRER
E NADA MAIS IRÁ FICAR SEM SER
AS COISAS QUE FIZ NASCER

POR QUE UM DIA TE VOU PERDER
E NADA MAIS IRÁ SOBRAR
DO QUE O MEU INTENSO OLHAR
CARREGADO DO VERBO AMAR

PORQUE UM DIA VOU CRESCER
E NADA MAIS IRÁ FICAR
A NÃO SER AS GRANDES MARCAS
DAQUILO QUE ME FIZESTE SER

PORQUE UM DIA VOU PERCEBER
QUE BURRO ESTAVA A SER
EM ESTAR A DESPERDIÇAR
O TEMPO EM QUE TE PODIA TER

E PORQUE JÁ SEI TUDO ISTO
AINDA QUE NÃO TENHA ACONTECIDO
SÓ ESPERO QUE ME PERDOES
E QUE VOLTE TUDO AO INICIO,
QUANDO ERAS O MEU VICIO.

Obrigado, por tudo. Até um dia, ***. Foste importante.

Regresso

Boas, caros leitores, queria desde já pedir desculpa pela minha prolongada ausência, por motivos alheios à minha vontade.

Prometo compensar com novas publicações,

Diogo P.

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Interrupção da Postagem



Por motivos que todos compreenderão, as postagens estão suspensas até meados de setembro.
Com os melhores desejos de um bom descanso.
Diogo.






Terça-feira, 1 de Julho de 2008

A vida sobre carris

Há momentos na vida, nos quais nos deparamos a pensar em algo que, em condições normais, nunca pensaríamos ser capaz de cativar o nosso interesse.

Foi o que me aconteceu hoje mesmo.
Como entusiasta da CP e dos comboios em geral gosto, sempre que possível, de utilizar este meio de tranporte...Hoje em dia tão descuidado e desaproveitado.
Não pretende culpabilizar A ou B pelo actual estado dos Caminhos de Ferro, no entanto penso que mais, muito mais se poderia fazer por este meio de transporte.
No estado em que se encontram as nossas insfra-estruturas base deveríamos investir mais na rentabilização destas. As linhas principais do nosso país encontram-se, hoje em dia, já electrificadas o que permite que o "material circulante" possa consumir electricidade e não gasóleo, o que, como sabemos permite reduzir bastante as consequências ambientais nocivas resultantes da combustão dos combustiveis fósseis.
O conforto que se pode ter hoje em dia a bordo dos comboios de Portugal é sem dúvida bastante razoável. Dispomos também de vários "entroncamentos" de diversas linhas que permitem uma articulação muito grande a nível dos trajectos.

No entanto o mundo em que vivemos é, sem dúvida esquesito. Não se trata de estar a elaborar um discurso daqueles muito bonitos mas que não levam a lado nenhum.

Só que, há coisas que se deveriam mudar. Vimos há uns tempos a grande paralisação dos camionistas e pudémos perceber a vulnerabilidade que temos em relação ao sector rodoviário.

Mas, não é dificil compreender a preferência da sociedade em geral, na qual eu me incluo, pelo uso de veiculos automóveis. A coordenação dos nossos comboios nem sempre é a melhor e o comodismo das pessoas não lhes permite, muitas vezes, ter de apanhar um ou mais comboios para chegar a um determinado destino, quando poderia pura e simplesmente utilizar o seu carro.
Daí que, já todos ouvimos falar em linhas que fecharam, ou que estão para fechar, por exemplo a linha do Oeste que não fechou muito graças às manifestações que se realizaram por parte dos habituais utentes.

No entanto, assistimos ainda a muitos troços das nossas linhas de comboio que têm de ser servidos por automotoras movidas a diesel, porque a linha não está ainda electrificada.
E porque é que não se procede então à electrificação dos ditos troços?
A razão é muito simples, porque o fluxo de passageiros diário não o justifica.
Logo, as linhas e os horários muitas vezes estão mal organizados ou são insuficientes, porque não há passageiros suficientes que justifiquem intervenções com vista a melhorar a situação. Por sua vez os possíveis utentes, como os comboios não servem da melhor forma os seus interesses deixam de utilizar os mesmos. Formando assim um ciclo vicioso.
Penso que deveríamos passar a rentabilizar melhor o transporte rodoviário. Quer para mercadorias quer para nós próprios. Porque não?
É sem dúvida de louvar o esforço por parte da CP no seu site, organizando roteiros, foto roteiros, colocando informação sobre os comboios com serviço internacional, tendo informação sobre inter-rails, organizando intra-rails....etcetcetc. Dispomos ainda do famoso comboio histórico que se desloca na linha do Douro, utilizando o vapor como forma de locomoção.
Porque não ser o utente a dar o primeiro passo, porque não aproveitar as férias para nos deslocarmos a bordo da CP?

Já agora: www.cp.pt



Diogo Cardoso

Domingo, 22 de Junho de 2008

Bem-vindo

Olá, bem-vindo ao meu blog. O meu nome é Diogo, e não vale a pena dizer a idade porque isso faria com que esta mensagem ficasse desactualizada rapidamente.
Ora bem, eu já tinha um blog, mas era so para postar textos massudos e sobre assuntos muito complicados, o que tenho em mente para o "pontos de vista" é precisamente isso, postar os meus pontos de vista, misturando um blog pessoal/diário mas postando algumas opiniões vagas sobre assuntos em concreto.

Até a próxima,
Diogo.